Projeto Visualizing Rock

Hoje  é dia de falar sobre um projeto pessoal e, portanto, peço paciência.

A música sempre foi uma gigantesca paixão. Já tive meus tempos de rock star (guardadas as devidas proporções) há muito tempo atrás (tenho fotos guardadas em um local seguro…). Quem nunca subiu naquele palquinho da festa junina da Igreja do bairro e lascou um The Number of the Beast imaginando estar em uma arena lotada de pessoas enlouquecidas ao som de guitarras estridentes?

Hoje mantenho a música como passatempo quando, raramente, sobra, de fato, algum tempo. Queria unir as duas paixões: visualização e música. Mas a questão era por onde começar.

Procurei referências e encontrei muito pouco material. Também pesquisei como a notação musical atual chegou ao estágio em que se encontra (Acreditem, ela já foi bem mais severa e complicada). É sabido que a maioria das pessoas tem uma dificuldade enorme no aprendizado da leitura musical. De fato, requer muita prática e disciplina. Tiro meu chapéu imaginário para aqueles que tocam piano – são DUAS pautas que devem ser lidas ao mesmo tempo e, quase sempre, em assinaturas diferentes (Fa e Sol). E como se nao bastasse, é preciso adiantar a leitura (isso em qualquer instrumento) para a coisa não desandar em algum momento. Meu cérebro não tem a mínima capacidade de fazer isso. Tocar linhas melódicas complexas de contrabaixo e cantar ao mesmo tempo já é algo impossível… Na minha cabeça, apenas o Geddy Lee do Rush consegue fazer isso.

Posto isso, me veio uma ideia maluca na cabeça – que tal criar posteres decorativos de bandas que, creio eu, todo mundo gosta e, de quebra, encontrar uma maneira de facilitar a leitura musical?

Naturalmente escolhi a bateria como instrumento inicial por possuir poucas variações que não o tempo e quantidade de peças do kit. Instrumentos melódicos serão outra etapa e outro papo.

Assim nasceu o projeto de visualizar a bateria de grandes clássicos do rock. \m/

Claro que existem alguns percalços. Imagine a quantidade de peças em um kit do Phil Rudd (AC/DC), a primeira cobaia (Ok, sou espertão, escolhi um dos mais fáceis pra começar) e a quantidade de peças em um kit do Neil Peart. Difícil? Talvez não. As diferenças seriam um elemento adicional e interessante para constar nos gráficos.

Veja a diferença

Phil Rudd utiliza apenas um tom (no lugar de dois) e dois surdos (no lugar de apenas um). Esse é um kit signature da Sonor mas é muito semelhante ao utilizado pelo músico.

Phil Rudd utiliza apenas um tom (no lugar de dois) e dois surdos (no lugar de apenas um). Esse é um kit signature da Sonor mas é muito semelhante ao utilizado pelo músico.

Já Neil Peart não está para brincadeira! Ok, estamos falando do homem considerado até hoje o melhor baterista do mundo. Essa é uma das variações de seus kits (para a Time Machine Tour) que contempla inclusive pads de sintetizadores (no canto esquerdo da imagem)

Já Neil Peart não está para brincadeira! Ok, estamos falando do homem considerado até hoje o melhor baterista do mundo. Essa é uma das variações de seus kits (para a Time Machine Tour) que contempla inclusive pads de sintetizadores (no canto esquerdo da imagem próximos ao famigerado cowbell)

Dureza não?

A primeira música escolhida foi Highway to Hell do AC/DC, uma das bandas de rock mais honestas do planeta na minha modesta opinião.

A música escolhida - Highway to Hell

A música escolhida – Highway to Hell

O trabalho foi completamente manual. Com a partitura em mãos, contei o número de vezes que cada peça foi tocada durante a música. Esse número gerou um gráfico coxcomb, a parte principal do gráfico. A escolha foi puramente estética pois o resultado, plasticamente, fica interessante. A ideia aqui não é ser analítico ao extremo. Sim, é possível encontrar padrões de posse dos gráficos de todas as músicas de um mesmo disco ou mesmo comparando bandas diferentes, mas isso será uma segunda fase!

O gráfico gerado pelo infogr.am e retrabalhado

O gráfico gerado pelo infogr.am e retrabalhado

O cálculo do coxcomb é bem chatinho, não é algo fácil de se fazer em um programa de ilustração vetorial. Mas as ferramentas estão pela internet afora para nos darem uma providencial mãozinha. Assim, acabei utilizando o infogr.am para tal. Bastou colocar os valores e ele gerou os gráficos para mim.

Lembre-se, a intenção é criar uma peça mais decorativa que qualquer outra coisa. Uma maneira diferente de mostrar e representar o trabalho de uma banda que gosto sem ser na velha fórmula camiseta preta + logo horrível + alguma criatura do inferno espumando.

Aqui, ressalto novamente a questão da diferença do número de peças de um kit como um elemento que determinara o quão simples ou complexa é a bateria de um determinado músico, ou seja, o número de partes do coxcomb sinaliza quem usa mais ou menos peças.

Também foi preciso bom senso na hora de categorizar as peças. Poderia muito bem separar hi-hat aberto de hi-hat fechado (ou tocado apenas com o pedal), ou mesmo um prato de condução de um prato de ataque. Mas isso criaria um outro problema.  Teriamos, em algumas canções, números muito, muito baixos que praticamente seriam impossíveis de representar no coxcomb. Por exemplo, diante de uma música com 600 toques no hi-hat apenas um seria tocado com o pé. Esse único toque seria impossível de plotar no gráfico. Efim,  as favas com o preciosimo musical. Decidi agrupar instrumentos de uma mesma categoria. Portanto, se o sujeito tem um set de 15 pratos diferentes, todos serão tratados como uma coisa só.

Agora era hora de representar a partitura. Definidas todas peças (agrupadas ou não), precisava pensar em uma maneira de tornar a leitura visualmente mais fácil. Muitos esboços minúsculos em um pequeno caderno e alguns dias depois, me deparei com um artigo bem interessante sobre sinestesia onde encontrei um trabalho de 1970 de Stephen Malinowski, compositor, inventor e engenheiro de software que intentava criar justamente uma maneira mais fácil de visualização e leitura musical. Esse foi o ponto de partida. Dele me convenci da codificação por cores. Além disso, procurei representar cada peça em um linha, como na leitura convencional de uma partitura e subdividi os tempos na menor unidade possivel. No resultado final, cada dois quadrados representam um tempo da partitura (em um compasso de 4/4).

A partitura remodelada

A partitura remodelada

No processo, também encontrei um trabalho bem interessante de Laia Clos tentando representar visualmente a Quatro Estações de Vivaldi. Vale dar uma conferida.

Agora estava resolvida a questão do gráfico principal e da partitura.  Coletei algumas informaçoões interessantes sobre a música e elaborei o poster. Procurei manter um estilo sóbrio e simples inspirado muito nos famosos reports de Nicholas Felton. Até por que, novamente, queria fugir e passar bem longe da estética do preto, logos de banda (pouquíssimos são legais) e aquela coisa toda do rock muito louco. : )
O próximo passo é elaborar o gráfico de um disco inteiro com vários pequenos gráficos representado cada música e um gráfico em destaque acompanhando da partitura da faixa título ou principal.

O resultado final você confere aqui. Para ver maior, basta clicar na imagem.

O resultado final

O resultado final

Aceito de bom grado todas as críticas e sugestões do mundo até por que o resultado final ainda não me agrada. E claro, se ficar bem interessante, a proposta inicial permanece:  posteres para pendurar na sua sala com a música favorita de sua banda favorita. Que tal?

quadro

Ops, quase ia esquecendo. A música para acompanhar (ok, aconselho a versão de estúdio na qual foi baseado o gráfico. É que essa ao vivo é matadora) \m/

Abraço e até a próxima.

 

Um pensamento sobre “Projeto Visualizing Rock

  1. […] Projeto Visualizing Rock | Infografia não é arte […]

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