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Números absolutos nem sempre são uma verdade absoluta

Dia desses deparei-me com a noticia de que no ano de 2012, aproximadamente 1 milhão de celulares foram roubados no Brasil.
Vi a noticia assim, irresponsável, solta no tempo e espaço. Mas o que devemos perguntar é: esse numero é bom ou ruim? Não sabemos. E mesmo que apresentássemos um gráfico de barras com o numero de celulares roubados em um período de, digamos, 10 anos, a resposta ainda não estaria clara.

Números absolutos contam meia história. O que precisamos saber é se o numero de celulares no Brasil também aumentou no período.
Vamos trabalhar com um exemplo hipotético e simples.

  • Em 2011: 10 celulares foram roubados no Brasil
  • Em 2012, 15 celulares foram roubados no Brasil

Em números absolutos, 2012 foi um ano terrível. Tivemos um aumento de roubos de 50%. Escondam seus celulares!

Mas qual o numero de aparelhos celulares no pais nesses dois períodos? Mais uma vez, hipoteticamente:

  • Em 2011 tínhamos 100 celulares no pais
  • Em 2012 tínhamos 160 celulares no pais

Agora vamos converter isso em percentuais (correlacionando dados, eis a questão).

  • Em 2011 tivemos 10% dos celulares roubados
  • Em 2012: 9,37%.

Ou seja, o numero de roubos, mesmo que com uma diferença pequena em relação ao ano anterior, caiu.

Os números absolutos colocam o ano de 2012 como um holocausto da telefonia celular. Mas quando contextualizamos no tempo e correlacionamos com outros números igualmente importantes, percebemos que os números absolutos nem sempre contam a história completa.

Outro exemplo a ser estudado. As mortes dos ciclistas no transito.

Também não vou entrar aqui no mérito da questão das bikes, da vida sustentável e do caos das cidades motorizadas e blá, blá, blá. Eu acredito, basicamente, em números.

O que tem se falado muito diz respeito aos acidentes envolvendo bicicletas. Legal. Os números absolutos podem ser significativos. Mas e se colocarmos isso em perspectiva?

Numa pesquisada rápida descobri:

  • as mortes de motociclistas explodiram nos últimos anos
  • as mortes de pedestres são os números mais constantes (não baixaram significativamente)
  • as mortes de ciclistas tiveram um aumento pouco significativo.

Nesse caso, seria interessante conseguir os dados relativos as vendas de bicicletas, motocicletas e automóveis para podermos fazer uma relação entre o numero de mortes e o numero desses veículos nas ruas. Tentei conseguir os dados em um gentil e-mail enviado a Abraciclo mas não obtive resposta e, portanto, não puder tirar conclusões.
O que se conclui é: apresentar números absolutos sem nenhum tipo de contextualização ou correlação coerente pode demonstrar uma inverdade. Uma ideia equivocada da realidade.

Posto isso, a lição de hoje é: números absolutos são como crianças. Desacompanhados podem gerar uma baita confusão.

Um abraço e até a próxima.